
Entre o sonho da estabilidade e a realidade dos plantões informais, o aumento de profissionais e a má distribuição de vagas de residência estão empurrando médicos para o limbo ocupacional.
A dificuldade para se inserir no mercado de trabalho é a realidade de muitos médicos recém-formados. Em alguns casos, esses profissionais recorrem ao serviço informal como fonte de renda, devido à falta de oportunidades com vínculo empregatício. Apesar do cenário, a taxa de desemprego no país é a menor da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas então o que leva tantos médicos ao limbo do desemprego após a formação?
Segundo o levantamento Demografia Médica, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), entre 2024 e 2025 o número de médicos formados cresceu em 35,9 mil. Isso significa que, em todo o território nacional, a cada 1.000 habitantes existem 2,98 médicos. Algumas regiões têm concentrações maiores, como o Distrito Federal (6,28) e o sudeste (3,77), enquanto outras têm uma razão menor, como o Maranhão (1,27).
Além disso, os dados também apontam para um crescimento de 32% no número de profissionais que ingressaram no mercado de trabalho, cerca de 154,8 mil médicos.
O Impacto da Residência Médica
Entretanto, esse aumento não é proporcional quando se trata da quantidade de vagas para a Residência Médica (RM). O Panorama da Residência Médica: Oferta, Evolução e Distribuição de Vagas (2018-2024), realizado pela FMUSP, aponta que o aumento do número de estudantes de medicina foi de 71% entre 2018 e 2024, mas o número médicos residentes cresceu apenas 26%.
A Lei Mais Médicos prevê que a oferta de vagas de residência seja equivalente ao número de egressos de cursos de graduação no ano anterior. Mesmo assim, o número de médicos residentes segue abaixo do previsto, com uma grande concentração de vagas ofertadas em macrorregiões, como São Paulo.
Como resultado, o Brasil tem, atualmente, mais de 210 mil médicos generalistas – sem residência médica ou título de especialista. Esse fator dificulta a busca por empregos formais, já que os hospitais buscam profissionais com especialização.
Em contrapartida, o panorama mostra que, em 2024, cerca de 20% das vagas de residência médica, credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC), ficaram desocupadas. Se tratando de dados recentes, espera-se que novas pesquisas ocorram para encontrar soluções para esse gargalo, se baseando nos fatores que causam a desocupação.
Desigualdade geográfica
Para Mário César Scheffer, coordenador da pesquisa Demografia Médica, em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, a concentração de vagas de residência em regiões centrais dificulta a fixação de médicos no interior.
Se analisarmos os dados mencionados anteriormente, a concentração de médicos no sudeste é de 3,77 por 1.000 habitantes, seguido pela região centro-oeste, com 3,44. Enquanto essas regiões apresentam uma quantidade significativa de profissionais, o nordeste e o norte têm uma razão menor ou igual a 2 por 1.000 habitantes.
Essa desigualdade geográfica contribui para um acúmulo desproporcional de profissionais em áreas centrais, como a capital de São Paulo (que tem mais de 172 mil médicos). Como resultado, médicos dessas regiões têm dificuldade de encontrar emprego formal, enquanto centros de saúde, como hospitais e clínicas, de regiões periféricas ficam defasados de profissionais.
O baixo número de oportunidades de residência médica em cidades mais afastadas do polo econômico também contribui para o problema. Com a movimentação de médicos recém-formados para capitais, em decorrência do primeiro ano de residência, cidades mais ao interior do país sofrem com a falta de profissionais capacitados.
A frustração
O aluno de medicina brasileiro tem aspirações específicas atreladas ao status da profissão. Alguns se formam com expectativas de carreira estável e remunerações acima da média de um profissional não-médico – que no Brasil é de R$3.390, segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais).
O relatório de Demografia Médica aponta que o rendimento médio mensal de todos os médicos brasileiros foi de R$36.818 em 2022. O sonho de alcançar este tipo de estabilidade financeira se torna frustração quando o recém-formado chega ao mercado de trabalho e encontra o impasse trabalhista.
Além disso, a dedicação financeira e de tempo durante o período de graduação vem acompanhada da promessa de que tudo será pago quando o profissional encontrar um emprego fixo. Porém, a realidade pós-formação nem sempre é essa, e muitos formandos se encontram em um cenário de dívidas de financiamento estudantil, sem renda-fixa e dependendo de ciclos familiares para se manter.
Vale ressaltar, porém, que esse contratempo não é consequência da falta de empregos. A taxa de brasileiros empregados se mantém alta em comparação a outros anos, no entanto, há uma diversidade de fatores que contribuem para essa questão: concentração de médicos em áreas centrais, crescimento desproporcional das vagas de residência médica e expectativas trabalhistas altas por parte dos empregadores.
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