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Cortado da Seleção: o que é a lesão grau 3 que tirou Wesley França da Copa?

O lateral-direito sofreu uma ruptura no músculo adutor da coxa esquerda; entenda os sintomas, as causas e por que esse tipo de lesão exige longo afastamento

lesão

O lateral-direito da Roma, Wesley França, foi cortado da seleção brasileira a poucos dias da Copa do Mundo de 2026. O jogador sofreu uma lesão de grau 3 no músculo adutor da coxa esquerda — trauma que exige mais de oito semanas de recuperação e inviabilizou sua participação no Mundial.

As dores surgiram durante o amistoso entre Brasil e Egito, no sábado, 6 de junho. O atleta precisou ser substituído ainda no primeiro tempo e, no dia seguinte, exames de imagem (ressonância magnética) confirmaram a lesão no adutor, levando ao corte anunciado pela CBF.

Lesões musculares estão entre as mais frequentes no futebol profissional. Segundo o UEFA Elite Club Injury Study (Ekstrand et al.), elas respondem por cerca de um terço de todas as lesões com afastamento e por mais de um quarto do tempo total de afastamento por lesão. Entre as lesões musculares, as dos adutores estão entre as mais comuns (cerca de 23%), atrás apenas das dos isquiotibiais (37%).

O que é uma lesão no músculo adutor da coxa?

Os adutores são um conjunto de músculos da face interna (medial) da coxa, que se estende da região púbica ao joelho. Sua principal função é levar o membro inferior em direção à linha média do corpo — o movimento de “fechar” e cruzar as pernas.

A lesão ocorre quando o músculo é alongado ou solicitado além do seu limite, geralmente em movimentos bruscos, mudanças rápidas de direção, chutes ou desacelerações. É bastante comum no futebol e em outras modalidades com gestos explosivos de membros inferiores.

A gravidade costuma ser classificada em três graus:

  • Grau 1: lesão de poucas fibras, com dor leve e mínima ou nenhuma perda de função; os achados de imagem podem ser discretos ou ausentes. Recuperação, em geral, de cerca de 2 a 3 semanas.
  • Grau 2: ruptura parcial das fibras, com comprometimento funcional perceptível, porém preservando a continuidade geral do músculo. Recuperação tipicamente entre 4 e 8 semanas.
  • Grau 3: ruptura total, com perda de continuidade da unidade musculotendínea; pode exigir cirurgia. É o grau mais grave, com recuperação superior a 8 semanas, podendo chegar a 12.

Vale notar que classificações mais recentes — como o consenso de Munique (2013) e a British Athletics Muscle Injury Classification — detalham melhor o tipo, a localização e a extensão da lesão por imagem, orientando prognóstico e retorno ao esporte com mais precisão do que a escala clássica de três graus.

O caso de Wesley foi classificado como grau 3, o que explica o afastamento superior a oito semanas e a impossibilidade de disputar a Copa.

Quais são os sintomas?

Os principais sinais e sintomas da lesão do adutor são:

  • Dor na parte interna da coxa ou na região da virilha;
  • Sensibilidade à palpação local;
  • Eventual sensação de estalo no momento da lesão;
  • Incapacidade de prosseguir na atividade após o início da dor;
  • Edema e, em alguns casos, equimose (hematoma).

O que pode causar a lesão?

A lesão do adutor costuma resultar de movimentos bruscos durante a atividade física: uma finalização com muita força, uma mudança abrupta de direção ou um apoio em desequilíbrio, por exemplo.

Alguns fatores aumentam o risco:

  • Fraqueza ou desequilíbrio de força dos adutores;
  • Preparo físico insuficiente ou aumento abrupto da carga de treino;
  • Redução da amplitude de movimento do quadril;
  • Sobrepeso;
  • Histórico prévio de lesão nos adutores (a lesão prévia é um dos principais fatores de risco para recidiva).

Como é o tratamento?

Na fase inicial, o tratamento envolve proteção e modificação da atividade — eventualmente com apoio temporário de muletas —, controle da dor e, em alguns casos, crioterapia. O uso de anti-inflamatórios deve ser individualizado.

A progressão é guiada por critérios clínicos: à medida que a dor cede, introduzem-se exercícios de mobilidade e fortalecimento progressivo, em geral conduzidos junto à fisioterapia, até o retorno seguro ao esporte com base em critérios funcionais — e não apenas no tempo decorrido.

A cirurgia é incomum, reservada a situações específicas, como lesões por avulsão (quando o tendão se desprende de sua inserção óssea), rupturas tendíneas completas ou dor crônica refratária.

Como prevenir a lesão do adutor?

A prevenção vai além do aquecimento. As estratégias com melhor suporte de evidência incluem:

  • Fortalecimento excêntrico dos adutores, como o protocolo de adução de Copenhagen;
  • Programas neuromusculares estruturados, a exemplo do FIFA 11+;
  • Controle da carga de treino, evitando aumentos abruptos;
  • Correção de fatores de risco modificáveis, como déficits de força e desequilíbrios musculares.

O aquecimento adequado segue recomendado, mas o alongamento isolado tem efeito limitado na prevenção de lesões. Ao sentir dor na região, o ideal é interromper a atividade e procurar avaliação de um profissional de saúde.

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Autor e Revisor

  • Dr. Luca Baraldi Lamana
    Dr. Luca Baraldi Lamana é médico formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (FMRP-USP) e residente de Medicina Esportiva (R3) no Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP). Ex-atleta de tênis, alia a vivência no esporte de alto rendimento à prática clínica. Atua também como mentor na Mentoria Singular.
  • Jornalista e linguista. Especialista em acessibilidade para pessoas cegas e com baixa visão.

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