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Doença de Kawasaki: o que é, causas e tratamento

Entenda os sintomas, critérios diagnósticos, exames e o tratamento da Doença de Kawasaki, incluindo formas atípicas e o uso de ecocardiograma

Doença kawasaki
É uma vasculite sistêmica, aguda e autolimitada, acometendo predominantemente vasos de médio calibre, de etiologia desconhecida

A doença de kawasaki é uma inflamação aguda de vasos sanguíneos (vasculite), relacionada as artérias coronárias, que acontece comumente em lactentes e crianças de 1 a 5 anos. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e no tempo de febre.

Clínica e diagnóstico

Segundo os critérios da American Heart Association (AHA), da European League Against Rheumatism (EULAR) e da Pediatric Rheumatology European Society (PReS), a doença de kawasaki pode ser diagnosticada a partir da presença dos seguinte sintomas:

  • Febre persistente por pelo menos 5 dias (critério mandatório);
  • Alteração de lábios e cavidade oral: eritema e fissuras labiais e/ou hiperemia difusa de mucosa orofaríngea e/ou “língua em framboesa ou morango”;
  • Hiperemia conjuntival: bilateral, bulbar, sem exsudato;
  • Alteração de extremidades: edema de dorso de mãos e pés e/ou eritema palmar ou plantar na fase aguda e/ou descamação periungueal ou da área perineal na fase subaguda;
  • Exantema Polimorfo (erupção cutânea);
  • Linfadenopatia cervical ≥ 1,5 cm, geralmente unilateral.
  • ⚠️ LEMBRE-SE: A única forma que o exantema não se apresenta é vesicobolhoso.
(Fonte: Google Imagens).

O exame de imagem essencial para diagnosticar, monitorar e avaliar complicações cardíacas na doença de kawasaki é o ecocardiograma. Ele é responsável por identificar inflamações, dilatações (ectasias) e aneurismas nas artérias coronárias.

Além disso, o ecocardiograma analisa a função do miocárdio, válvulas cardíacas (como a valva mitral) e a presença de derrame pericárdico. Todos os pacientes com doença de kawasaki devem ser submetidos a um ecocardiograma para pesquisar alterações coronarianas.

Esse exame deve ser repetido com 1 a 2 semanas e, após isso, com 6 a 8 semanas para acompanhamento.

Doença de Kawasaki incompleta (ou atípica)

É a presença de febre inexplicada e 2 a 3 critérios clínicos citados acima. O profissional médico deve solicitar exames de velocidade de hemossedimentação (VHS) e proteína C-relativa (PCR). Se aumentados, o diagnóstico é fechado através de ecocardiograma alterado ou ≥ 3 critérios laboratoriais:

  • Albumina < 3g/dl
  • Anemia
  • Leucócitos > 15.000/mm³
  • Plaquetas > 450.000/m³ após o 7º dia
  • Leucocitúria

As manifestações sugestivas de infecção de vias aéreas superiores (como tosse) ou gastrintestinal (como dor abdominal e diarreia), não afasta a possibilidade de doença Kawasaki. Além disso, 20 a 30% dos pacientes não preenchem os critérios diagnósticos, sendo consideradas formas atípicas.

Os exames que auxiliam no diagnóstico desses casos são:

  • VHS > 40mm/1ª hora
  • PCR > 3mg/dl
  • TGP > 50U
  • Hiponatremia
  • Dimensões coronarianas por meio do z-escore > 2,5 no ecocardiograma

Tratamento da doença kawasaki

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda o uso de AAS na dose 100mg/kg/dia dividida em 4 tomadas. Outras fontes mais recentes recomendam de 30-50mg/kg/dia (dose anti-inflamatória) até a melhora da febre. Após 48 horas afebril, devemos solicitar as provas inflamatórias. Se estiverem em queda, reduzimos a dose de AAS para 3-5mg/kg/dia (dose anti-plaquetária) por até 6 a 8 semanas. O uso de imunoglobulina humana intravenosa 2g/kg dose única também é indicado até 10º dia, para evitar aneurisma de coronária.

O uso da imunoglobulina pode ser realizado após os 10 dias se ainda houver presença de febre e elevação de VHS ou PCR. A American Heart Association sugere o uso de corticoide (metilprednisola 2mg/kg/dia EV) em casos de alto risco para aneurismas:

  • < 6 meses
  • > 8 anos
  • Hipoalbuminemia
  • Trombocitopenia
  • Lleucocitose
  • Elevação de transaminase
  • Hiponatremia
  • Síndrome do choque do Kawasaki
  • Sexo masculino

Após o cessar da febre, deve-se iniciar o desmame (duração de 2-3 semanas) com prednisolona oral. Acompanhamento com reumatologista e cardiologista pediátricos deve ser sempre considerado.

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Perguntas frequentes

A doença de Kawasaki tem cura?

Sim, a doença de Kawasaki tem cura, principalmente quando o diagnóstico é feito de forma precoce e o tratamento é iniciado nos primeiros 10 dias de sintomas.

Como diferenciar escarlatina de Kawasaki?

A diferenciação de escarlatina de doença de Kawasaki é um desafio porque ambas causam febre alta, manchas vermelhas na pele e língua avermelhada (“em framboesa”). A principal diferença é que a escarlatina é uma infecção bacteriana tratada com antibiótico, enquanto a Kawasaki é uma inflamação grave dos vasos sanguíneos que exige internação e uso de imunoglobulina.

Quais são as fases da doença de Kawasaki?

A doença de Kawasaki evolui em três fases clínicas principais: aguda, subaguda e de convalescença.

  1. Aguda (dia 1 ao 10): Na fase mais intensa da doença, o paciente apresenta febre alta e persistente (acima de 38°C a 40°C) por cinco dias ou mais, resistente a antitérmicos comuns. O quadro evolui com conjuntivite bilateral sem secreção, lábios rachados, “língua em framboesa”, exantema polimorfo no tronco e região genital, inchaço e vermelhidão nas mãos e pés, além de linfadenopatia cervical. Nesse período, há também risco de complicações cardíacas graves, como a miocardite;
  2. Subaguda (11 a 25): Com o desaparecimento da febre e dos sintomas agudos da fase inicial, inicia-se um novo período caracterizado pelo descascamento da pele nas mãos e nos pés, que habitualmente começa ao redor dos dedos. Nessa etapa, é comum o aumento expressivo das plaquetas no sangue (trombocitose) e a permanência de quadros de irritabilidade, inapetência e dores articulares na criança. Trata-se, além disso, da fase de maior risco para o desenvolvimento de complicações graves, como o surgimento de aneurismas nas artérias coronárias;
  3. Convalescença (a partir do dia 26 até a 6 ou 8 semana): Na fase final da doença, os sintomas clínicos restantes desaparecem gradualmente e os exames laboratoriais e marcadores inflamatórios retornam aos níveis normais. É comum o surgimento das linhas de Beau — sulcos transversais nas unhas das mãos e dos pés decorrentes da pausa temporária no seu crescimento durante o pico da infecção. Apesar do reestabelecimento geral, o acompanhamento cardiológico contínuo permanece indispensável para monitorar e descartar sequelas duradouras nas artérias coronárias.

A doença de Kawasaki é contagiosa?

Não, a doença de Kawasaki não é contagiosa e não pode ser transmitida de uma pessoa para outra.

Quais são as sequelas da doença de Kawasaki?

A principal e mais grave sequela da doença de Kawasaki é o aneurisma das artérias coronárias, que consiste na dilatação ou enfraquecimento dos vasos que irrigam o coração.

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