
Na prática médica, especialmente em situações de emergência, é essencial ter protocolos e mnemônicos que ajudem a garantir uma abordagem abrangente e eficaz do paciente. Um desses mnemônicos amplamente utilizados é o FAST-HUG.
Neste artigo, vamos explorar cada componente deste protocolo e como ele pode ser aplicado na rotina clínica para garantir o melhor cuidado ao paciente.
O que significa FAST HUG?
FAST-HUG é um mnemônico criado por Jean-Louis Vincent, em 2005, para lembrar, na visita diária, os cuidados essenciais do paciente internado, sobretudo o crítico. Cada letra representa um item que deve ser checado todos os dias:
| Letra | Significado | O que checar |
|---|---|---|
| F | Feeding (nutrição) | Via e adequação da dieta, aceitação e necessidades nutricionais |
| A | Analgesia | Intensidade da dor e analgesia adequada |
| S | Sedation (sedação) | Necessidade e nível de sedação (por exemplo, pela RASS) |
| T | Thromboprophylaxis | Risco trombótico (escore de Padua) e tromboprofilaxia |
| H | Head of bed (cabeceira) | Cabeceira elevada 30 a 45 graus |
| U | Ulcer prophylaxis | Profilaxia de úlcera de estresse quando indicada |
| G | Glucose control (glicemia) | Controle e monitorização da glicemia |
F: Feeding (Alimentação)
O primeiro componente do FAST-HUG nos lembra da importância de considerar a alimentação do paciente. Isso inclui avaliar a capacidade de alimentação, restrições dietéticas, necessidades calóricas e nutricionais específicas.
O paciente está grave e necessita de dieta zero no momento? Como está sua aceitação por via oral? Ele tem alguma condição gastrointestinal? Qual será a via de administração da dieta?
Uma dieta adequada é essencial para nutrição e recuperação do paciente e sua resposta ao tratamento.
A: Analgesia (Analgésicos)
A dor é uma preocupação importante em pacientes hospitalizados. O componente “A” do FAST-HUG nos lembra de avaliar e classificar a intensidade da dor do paciente, utilizando escalas apropriadas, como a Escala Numérica de Dor.
É fundamental garantir que os pacientes recebam analgesia adequada para aliviar o desconforto e melhorar seu bem-estar.
Pacientes com dor leve a moderada podem ser conduzidos com analgésicos simples pela melhor via possível, por outro lado, pacientes com dores intensas ou refratários às terapias iniciais, podem necessitar de associação de analgésicos ou de opioides.
S: Sedação
Em certos cenários clínicos, a sedação pode ser necessária para conforto do paciente, controle de sintomas ou realização de procedimentos. O componente “S” do FAST-HUG nos lembra de avaliar a necessidade de sedação e administrá-la conforme indicado, sempre monitorando de perto os efeitos colaterais e a resposta do paciente.
T: Tromboprofilaxia
A prevenção de eventos tromboembólicos é crucial em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles com fatores de risco adicionais. O componente “T” do FAST-HUG nos lembra de classificar o risco trombótico do paciente, utilizando ferramentas, a exemplo do escore PADUA, e instituir medidas de tromboprofilaxia adequadas, como o uso de anticoagulantes ou compressão pneumática intermitente.
H: Head (Cabeceira Elevada)
Manter a cabeceira do leito elevada é uma medida simples, mas importante, para prevenir complicações respiratórias, como pneumonia associada à ventilação mecânica. O componente “H” do FAST-HUG nos lembra da importância de manter a cabeceira do leito elevada entre 30 a 45 graus, a menos que contraindicado, para otimizar a ventilação e o conforto do paciente.
U: Úlcera Gástrica
Alguns pacientes hospitalizados têm maior risco de desenvolver úlceras gástricas, especialmente aqueles em uso de terapia de suporte, como ventilação mecânica ou agentes anti-inflamatórios.
O componente “U” do FAST-HUG nos lembra de identificar pacientes com maior risco e considerar o uso de profilaxia de úlcera de estresse, como omeprazol, quando indicado.
G: Glicemia (Controle Glicêmico)
A manutenção da glicemia dentro de níveis adequados é essencial para a recuperação do paciente e prevenção de complicações, especialmente em pacientes críticos.
O componente “G” do FAST-HUG nos lembra de monitorar regularmente a glicemia do paciente, realizar correções conforme necessário e ajustar a terapia antidiabética conforme indicado.
Por fim, o protocolo FAST-HUG é uma ferramenta valiosa para garantir uma abordagem abrangente e sistematizada no cuidado ao paciente hospitalizado. Ao seguir cada componente desse mnemônico, os profissionais de saúde podem garantir que as necessidades do paciente sejam atendidas de forma adequada e eficaz, promovendo melhores resultados clínicos e uma experiência mais positiva para o paciente.
Versões ampliadas: FAST HUGS BID
Com o tempo, surgiram versões ampliadas do mnemônico para incluir outros cuidados da beira do leito. Uma das mais conhecidas é o FAST HUGS BID, que acrescenta:
- S: teste de respiração e de despertar espontâneos (avaliar desmame da ventilação e da sedação).
- B: cuidado com o intestino e a bexiga (função intestinal e sonda vesical).
- I: revisão de cateteres e dispositivos invasivos (indwelling), para retirar o que não é mais necessário.
- D: descalonamento de antibióticos e revisão das medicações (drug de-escalation).
Raio-X MedCof: o que cai na prova sobre o FAST HUG
O FAST HUG é um mnemônico de rotina em terapia intensiva. Os pontos de maior rendimento:
- A sigla: Feeding, Analgesia, Sedation, Thromboprophylaxis, Head of bed, Ulcer prophylaxis, Glucose.
- H: cabeceira a 30 a 45 graus, medida que ajuda a prevenir pneumonia associada à ventilação.
- U: profilaxia de úlcera de estresse em pacientes de risco (ventilação mecânica, coagulopatia).
- T: avaliar risco trombótico (escore de Padua) e indicar tromboprofilaxia.
- É uma checagem diária, item por item, na visita ao paciente.
O que fazer: memorize o significado de cada letra e a origem do mnemônico (Vincent, 2005), além da versão ampliada FAST HUGS BID.
Perguntas frequentes sobre o FAST HUG
O que significa FAST HUG?
É um mnemônico para os cuidados diários do paciente crítico: Feeding, Analgesia, Sedation, Thromboprophylaxis, Head of bed, Ulcer prophylaxis e Glucose control.
Para que serve o protocolo?
Para padronizar, na visita diária, a checagem de itens essenciais do paciente internado, reduzindo o risco de esquecer cuidados importantes.
Quem criou o FAST HUG?
O intensivista Jean-Louis Vincent, em 2005.
Qual é a versão ampliada?
O FAST HUGS BID, que acrescenta despertar e respiração espontâneos, cuidados com intestino e bexiga, revisão de cateteres e descalonamento de medicações.

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