Mato Grosso do Sul concentra 60% das mortes por chikungunya no Brasil 

Com 12 óbitos confirmados e 18 cidades em emergência, o estado intensifica medidas de contenção.

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Mato Grosso do Sul concentra 60% das mortes por chikungunya no Brasil
Mato Grosso do Sul concentra 60% das mortes por chikungunya no Brasil

Com mais de 6 mil casos de chikungunya e 18 cidades em situação de epidemia, Mato Grosso do Sul enfrenta um avanço rápido da doença pelo território. Dos 19 óbitos registrados no país, 12 ocorreram no estado do centro-oeste, acendendo um alerta para o cenário de saúde local. 

O estado enfrenta a explosão dos casos da doença desde janeiro de 2026, quando foram contabilizados 638 indivíduos infectados. Nos meses seguintes esse número dobrou, sendo março o mês com mais registros – cerca de 3.091.

Segundo dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses, mais de 50% dos pacientes infectados são mulheres entre 20 e 29 anos. Apenas uma das vítimas da doença não era parte do grupo de risco: um homem de 55 anos, sem comorbidades. 

Cenário dos municípios

O epicentro da epidemia de chikungunya é a cidade de Dourados, com 1.654 casos prováveis, a maioria deles concentrada na Reserva Indígena de Dourados. Ainda em março de 2026, o prefeito do município, Marçal Filho, declarou situação de emergência em saúde pública. 

Atualmente, Batayporã, Ladário e Figueirão se juntaram às cidades em situação de epidemia, com 159 casos prováveis e um coeficiente de incidência de 428,3. Além disso, municípios como Corumbá e Paraíso das Águas tiveram uma alta de mais de 90% dos números de casos por 100 mil habitantes. 

Em contrapartida, a cidade de Itaporã, que tinha a classificação de epidemia ainda em março, apresentou, em abril, uma redução considerável na incidência da chikungunya. Outras regiões com números próximos ao limite de uma epidemia são: Aquidauana, Iguatemi, Maracaju e Nioaque. 

Municípios do MS com epidemia de chikungunya

  1. Fátima do Sul – 548 casos prováveis;
  2. Sete Quedas – 238 casos prováveis;
  3. Paraíso das Águas – 90 casos prováveis;
  4. Jardim –  350 casos prováveis;
  5. Douradina –  69 casos prováveis;
  6. Corumbá – 888 casos prováveis;
  7. Amambai – 354 casos prováveis;
  8. Selvíria – 73 casos prováveis;
  9. Vicentina – 45 casos prováveis;
  10. Dourados – 1.654 casos prováveis;
  11. Batayporã – 59 casos prováveis;
  12. Bonito – 134 casos prováveis;
  13. Guia Lopes da Laguna – 54 casos prováveis;
  14. Costa Rica – 147 casos prováveis;
  15. Ladário – 88 casos prováveis;
  16. Figueirão – 12 casos prováveis;
  17. Angélica – 36 casos prováveis;
  18. Jateí – 11 casos prováveis.

Medidas emergenciais

Os decretos de situação de emergência em saúde pública facilitam a compra de insumos e medicamentos sem licitação e a contratação temporária e simplificada de agentes de endemias. 

No município de Jardim, o decreto permite o ingresso forçado em imóveis com focos de Aedes aegypti – mosquito que transmite chikungunya.

Devido ao cenário alarmante, Dourados recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus. A Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) também atuou no município por um mês.

Na segunda-feira (27), o epicentro inicia a campanha de vacinação contra o chikungunya. Ainda na semana dos dias 22 e 23, a prefeitura deve trabalhar na capacitação de profissionais de enfermagem para atender toda a população.  

Contexto da Chikungunya

A Chikungunya faz parte do grupo de Arboviroses, sendo transmitida pelo Aedes aegypti, também responsável pelo vírus da dengue e da Zika. A doença causa febre alta e dores intensas nas articulações, podendo evoluir para dor crônica em alguns casos. O primeiro caso no país ocorreu em 2014 e, até 22 de abril deste ano, o Brasil registrou 68,1 mil casos da doença, com 75 óbitos confirmados.

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Autor

  • Jornalista e linguista. Especialista em acessibilidade para pessoas cegas e com baixa visão.