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Febre do Nilo Ocidental: entenda a doença que já tem casos confirmados em SP e SC

Mosquito Culex | Foto: CDC

A Febre do Nilo Ocidental (FNO) voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde brasileiras após a confirmação dos primeiros casos humanos da doença em São Paulo e do primeiro óbito em Santa Catarina. Até 25 de agosto de 2026, o Brasil soma quatro casos confirmados e uma morte, além de um caso provável em investigação no Piauí.

Em São Paulo, os dois casos foram identificados em uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que já se recuperou, e em uma adolescente de 18 anos, residente em São José do Rio Preto, que permanece internada. Em Santa Catarina, foram registrados dois casos: um homem de 56 anos, que recebeu alta, e uma mulher de 77 anos, que morreu após apresentar manifestações neurológicas.

Diante do cenário, entender o que é a Febre do Nilo Ocidental, como ocorre a transmissão, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quais medidas ajudam na prevenção é fundamental.

O que é a Febre do Nilo Ocidental?

A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada pelo vírus do Nilo Ocidental, um arbovírus transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas.

O ciclo de transmissão envolve principalmente aves silvestres, que funcionam como hospedeiras naturais e fonte de infecção para os mosquitos. Quando o mosquito infectado pica uma pessoa ou outro mamífero, pode transmitir o vírus. Humanos e equídeos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, pois a presença do vírus no sangue ocorre por um período e em níveis que não costumam permitir a infecção de novos mosquitos.

Apesar de ser uma doença transmitida por vetor, a Febre do Nilo Ocidental não deve ser confundida com dengue, chikungunya ou zika. Todas são arboviroses, mas são causadas por vírus diferentes e possuem características epidemiológicas próprias.

Como ocorre a transmissão?

A principal forma de transmissão da Febre do Nilo Ocidental é a picada de mosquitos do gênero Culex infectados. O mosquito adquire o vírus ao se alimentar do sangue de aves infectadas e, posteriormente, pode transmiti-lo durante uma nova picada.

A transmissão direta entre pessoas não é a forma habitual de disseminação da doença. No entanto, o Ministério da Saúde descreve formas raras de transmissão, que podem ocorrer por:

  • Transfusão de sangue;
  • Transplante de órgãos;
  • Aleitamento materno;
  • Transmissão transplacentária, da gestante para o bebê.
Transmissão da Febre do Nilo Ocidental através da picada do mosquito Culex | Canva

Quais são os sintomas da Febre do Nilo Ocidental?

A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 20% dos indivíduos infectados desenvolvam manifestações clínicas, geralmente leves.

Entre os principais sintomas estão:

  • Febre aguda de início súbito;
  • Mal-estar;
  • Falta de apetite;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Dor nos olhos;
  • Manchas na pele;
  • Aumento dos gânglios linfáticos.

Por serem manifestações pouco específicas, o quadro pode se confundir inicialmente com outras infecções virais.

Sintomas da Febre do Nilo Ocidental | Imagem gerada pelo Canva

Quais são os sinais de gravidade?

Em uma pequena parcela dos pacientes, a infecção pode evoluir para uma forma neurológica grave, com comprometimento do sistema nervoso central ou periférico.

O Ministério da Saúde estima que aproximadamente 1 em cada 150 pessoas infectadas desenvolva doença neurológica severa, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.

Nesses casos, podem surgir:

  • Confusão mental;
  • Alteração ou rebaixamento do nível de consciência;
  • Fraqueza muscular intensa;
  • Tremores;
  • Convulsões;
  • Ataxia;
  • Paralisia flácida;
  • Outros sinais de comprometimento neurológico.

A encefalite é uma das manifestações neurológicas mais frequentes entre os quadros graves. Diante de sintomas neurológicos associados a febre e suspeita de exposição ao vetor, é necessária avaliação médica imediata.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Febre do Nilo Ocidental combina avaliação clínica, histórico epidemiológico e exames laboratoriais.

O teste mais utilizado é a detecção de anticorpos IgM contra o vírus do Nilo Ocidental, por meio de teste de captura de anticorpos IgM (ELISA). A amostra de soro costuma ser coletada a partir do quinto dia após o início dos sintomas, e o exame também pode ser realizado em líquido cefalorraquidiano (LCR), especialmente diante de manifestações neurológicas.

Outros métodos podem ser empregados conforme o quadro e a avaliação dos serviços de saúde, incluindo técnicas moleculares, como RT-PCR, além de isolamento viral e PRNT.

Um ponto importante é que exames sorológicos podem apresentar reação cruzada com outros flavivírus, como dengue e febre amarela. Por isso, a interpretação deve considerar o quadro clínico e epidemiológico do paciente.

Existe tratamento para a Febre do Nilo Ocidental?

Atualmente, não existe antiviral específico nem vacina disponível para prevenção da Febre do Nilo Ocidental em humanos. O tratamento é baseado em medidas de suporte, de acordo com a gravidade do quadro.

Pacientes com manifestações leves podem receber acompanhamento e medidas para controle dos sintomas. Já os casos graves, especialmente aqueles com comprometimento neurológico, podem exigir internação hospitalar e suporte intensivo, conforme a necessidade clínica.

Como prevenir a Febre do Nilo Ocidental?

Como a principal via de transmissão é a picada de mosquitos infectados, a prevenção está relacionada principalmente à redução da exposição ao vetor.

Entre as principais medidas estão:

  • Utilizar repelente conforme as orientações do fabricante;
  • Usar roupas que reduzam a exposição da pele;
  • Instalar telas em portas e janelas;
  • Evitar locais e recipientes que possam acumular água;
  • Reduzir a exposição aos mosquitos, especialmente nos períodos de maior atividade do Culex;
  • Evitar o descarte inadequado de lixo em valas, valetas e margens de rios e córregos;
  • Evitar, sempre que possível, o contato ou manuseio de animais encontrados mortos.

As autoridades de saúde também reforçam a importância da vigilância epidemiológica, especialmente diante da identificação de casos humanos ou de animais infectados.

O que se sabe sobre os casos no Brasil?

A confirmação dos casos em São Paulo e Santa Catarina ampliou a atenção das autoridades para a circulação do vírus no país.

Em São Paulo, os primeiros casos humanos foram confirmados em 24 de agosto de 2026. A mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, tinha histórico recente de viagem à região amazônica e já se recuperou. A segunda paciente, de 18 anos e residente em São José do Rio Preto, permanece hospitalizada. O local provável de infecção ainda está em investigação. Os diagnósticos foram confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Em Santa Catarina, também foram identificados os primeiros casos no estado. Uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, morreu após apresentar manifestações neurológicas. O outro paciente, um homem de 56 anos de Caçador, foi internado e posteriormente recebeu alta. Os locais prováveis de infecção também seguem sob investigação epidemiológica.

Além dos quatro casos confirmados, há registro de um caso provável no Piauí em 2026, segundo informações divulgadas em 25 de agosto.

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Febre do Nilo Ocidental é uma doença nova no Brasil?

Não. Apesar da recente repercussão causada pelos casos de 2026, o vírus do Nilo Ocidental já foi identificado no Brasil anteriormente e há registros de infecção humana no país.

O que torna o cenário atual relevante é a confirmação de novos casos humanos em diferentes estados e a ocorrência de um óbito, o que reforça a necessidade de vigilância epidemiológica e investigação sobre os locais prováveis de infecção e a circulação do vírus.

Febre do Nilo Ocidental pode ser cobrada nas provas de residência médica?

Sim. A doença pode aparecer em questões relacionadas às arboviroses, doenças transmitidas por vetores, vigilância epidemiológica e síndromes neurológicas infecciosas.

Para a preparação para as provas, vale memorizar os principais pontos:

Febre do Nilo Ocidental → vírus do Nilo Ocidental → mosquito Culex → aves como principais hospedeiros amplificadores → maioria assintomática → pequena parcela com doença neurológica grave → encefalite/meningite/paralisia flácida → tratamento de suporte → sem vacina humana disponível.

A atualização do cenário epidemiológico brasileiro também é importante, especialmente em provas que exploram temas de Saúde Pública e atualidades médicas.

Prepare-se para as provas com os temas que estão em evidência

A Febre do Nilo Ocidental ganhou destaque no cenário epidemiológico brasileiro após a confirmação de novos casos e um óbito. Para quem está se preparando para a residência médica, acompanhar doenças emergentes e revisar conceitos de arboviroses, transmissão, manifestações neurológicas e vigilância epidemiológica pode fazer a diferença na prova.

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Perguntas frequentes sobre a Febre do Nilo Ocidental

A Febre do Nilo Ocidental passa de pessoa para pessoa?

A transmissão habitual não ocorre diretamente entre pessoas. O principal mecanismo é a picada de mosquito infectado. Existem, porém, formas raras de transmissão, como por transfusão sanguínea, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão transplacentária.

Toda pessoa infectada apresenta sintomas?

Não. A maior parte das pessoas não apresenta manifestações clínicas. Entre os indivíduos que desenvolvem sintomas, a maioria apresenta quadros leves.

A Febre do Nilo Ocidental pode causar encefalite?

Sim. A encefalite está entre as principais manifestações neurológicas graves associadas à infecção pelo vírus do Nilo Ocidental. Também podem ocorrer meningite e paralisia flácida aguda.

Existe vacina contra a Febre do Nilo Ocidental?

Não há vacina disponível para prevenção da doença em seres humanos. A prevenção é baseada principalmente na redução da exposição aos mosquitos e no controle de criadouros.

Qual mosquito transmite a Febre do Nilo Ocidental?

O principal vetor é o mosquito do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca. O mosquito adquire o vírus ao se alimentar de aves infectadas.

Autor

  • Leila Menzel

    Estudante do 7° semestre de jornalismo. Atuo na cobertura de notícias e atualizações sobre saúde, com foco em residência médica.

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