
A cardiotocografia (CTG) desempenha um papel crucial na monitorização do bem-estar fetal, especialmente durante o trabalho de parto.
Resumo rápido: o que a cardiotocografia avalia
- A cardiotocografia (CTG) registra a frequência cardíaca fetal e as contrações uterinas.
- Os parâmetros principais são: linha de base, variabilidade, acelerações e desacelerações.
- As desacelerações se classificam em DIP I (precoce), DIP II (tardia) e DIP III (variável).
- No intraparto, o traçado é classificado em 3 categorias: I (normal), II (indeterminado) e III (patológico).
O que é a cardiotocografia?
A cardiotocografia é uma ferramenta de monitoramento fetal que avalia a frequência cardíaca fetal, fornecendo uma visão sensível e altamente preditiva de eventos relacionados à hipoxemia aguda.
Qual a importância de realizá-la?
Este exame é particularmente relevante em gestações de alto risco ou com complicações periparto. Estudos indicam que a avaliação intraparto do bem-estar fetal está associada a menores taxas de mortalidade fetal, destacando seu papel orientador das decisões prévias ao parto.
Quando indicar cardiotocografia?
A CTG está indicada em diversos cenários, incluindo condução e indução do trabalho de parto, após analgesia, presença de mecônio espesso, sangramento vaginal atípico, atividade uterina anormal, alterações na frequência cardíaca fetal ao sonar, redução de movimentação fetal, aumento da pressão arterial materna e gestações com mais de 34 semanas para gestantes com comorbidades ou 37 semanas para as demais.
Principais Parâmetros e como Interpretá-los
A cardiotocografia avalia a frequência cardíaca fetal ao longo de aproximadamente 20 minutos, fornecendo dados valiosos sobre a capacidade do feto de se adaptar a alterações. Os principais parâmetros incluem:
- Linha de base: vai informar a média dos batimentos cardíacos fetais por minuto.
- Normal: 110 a 160 bpm.
- Taquicardia: acima de 160 bpm por pelo menos 10 minutos.
- Bradicardia: abaixo de 110 bpm por pelo menos 10 minutos.
- Presença de acelerações transitórias;
- Acelerações: Aumento abrupto de pelo menos 15 bpm da linha de base com duração de ≥15 segundos (se < 32 sem é definida como aumento de pelo menos 10bpm em 10 seg), geralmente associada ao movimento fetal. É considerada prolongada se dura mais de 2 minutos;
- Desacelerações: Queda da frequência cardíaca que pode ser periódica (associadas à contrações), episódicas (sem associação com contração), intermitentes (ocorre em < 50% das contrações) ou recorrentes (em > 50% das contrações).
- DIP 1/ Precoce/ Cefálica / Fisiológica : associada a compressão do polo cefálico durante a contração uterina, em que o nadir da desaceleração coincide com o ápice da contração.
- DIP 2/ Tardia/ Placentária: associada a redução do fluxo sanguíneo placentário que ocorre durante a contração, iniciam após o ápice da contração. Quando persistentes, significam insuficiência placentária.
- DIP 3/ Variável/ Umbilical: associada a compressão temporária do cordão umbilical, podem ocorrer a qualquer momento, geralmente tem início e fim abruptos, com morfologia diversa;
- Contrações: Normal até 5 contrações em 10 minutos ou Taquissistolia se 6 ou mais contrações.
- Variabilidade: é a oscilação da linha de base batimento a batimento e é um dos melhores indicadores de boa oxigenação fetal. Classifica-se em:
| Variabilidade | Amplitude | Significado |
|---|---|---|
| Ausente | indetectável | Sinal de alerta |
| Mínima | menor ou igual a 5 bpm | Pode indicar hipóxia ou sono fetal |
| Moderada (normal) | 6 a 25 bpm | Tranquilizadora |
| Acentuada | maior que 25 bpm | Avaliar contexto |
A variabilidade moderada (6 a 25 bpm) é tranquilizadora. A variabilidade ausente, associada a desacelerações tardias ou variáveis recorrentes, é um dos critérios da categoria 3.
Fique atento! Existe ainda o padrão sinusoidal da variabilidade, em que tem-se 3 a 5 ondas regulares por minuto em forma de sino, de pequena amplitude, que persiste por 20 minutos, geralmente associado a anemia fetal grave.
Cardiotocografia anteparto e intraparto
A cardiotocografia basal (anteparto) avalia o bem-estar fetal fora do trabalho de parto e é classificada em reativa ou não reativa: é reativa quando há pelo menos 2 acelerações em 20 minutos, o que é tranquilizador. Já a cardiotocografia intraparto acompanha o feto durante o trabalho de parto e usa a classificação em 3 categorias (I, II e III) para guiar a conduta.
Quais são as condutas a partir da avaliação dos parâmetros da cardiotocografia?
A partir da avaliação da cardiotocografia, há a classificação dos achados encontrados em 3 categorias:
- Categoria 1: CTG sem anormalidades, sem necessidade de intervenção. Todos abaixo devem estar presentes
- Linha de base – 110-160 bpm
- Variabilidade moderada
- Sem desacelerações tardias ou variáveis
- Com ou sem desacelerações precoces ou acelerações transitórias
- Categoria 3: CTG com sinais de hipoxemia e acidose fetal, exige medidas de ressuscitação fetal, manutenção de monitoramento fetal e resolução da gestação por via mais rápida.
- Presença de Variabilidade ausente e presença de pelo menos 1 dos critérios abaixo:
- Desacelerações tardias repetidas (≥50%);
- Desacelerações variáveis repetidas (≥50%)
- OU Padrão sinusoidal.
- Presença de Variabilidade ausente e presença de pelo menos 1 dos critérios abaixo:
- Categoria 2: CTG que não se enquadra na categoria 1 ou 3, a conduta vai depender da gravidade das manifestações.
- Sem aceleração e/ou variabilidade, fazer traçado longo (40 min) e estimulação fetal, se manter, iniciar medidas de ressuscitação fetal, se mantiver alterações, resolução da gestação pela via mais rápida.
- Presença de aceleração e variabilidade: deve-se manter monitoramento e individualizar as condutas.
Confira um fluxograma que reúne essas informações:
Raio-X MedCof: o que cai na prova sobre a cardiotocografia
CTG é tema quase certo em ginecologia e obstetrícia. Os pontos de maior rendimento:
- Linha de base normal: 110 a 160 bpm.
- Variabilidade moderada (6 a 25 bpm) é o melhor sinal de boa oxigenação.
- DIP I (precoce): compressão do polo cefálico, fisiológica.
- DIP II (tardia): insuficiência placentária, sinal de alerta.
- DIP III (variável): compressão do cordão umbilical.
- Padrão sinusoidal: anemia fetal grave.
- Categoria 3: variabilidade ausente com desaceleração tardia ou variável recorrente, ou padrão sinusoidal.
O que fazer: associe cada DIP ao seu mecanismo (cefálico, placentário, cordão) e lembre que a DIP II tardia é a mais preocupante.
Perguntas frequentes sobre a cardiotocografia
O que é a cardiotocografia?
É um exame que registra a frequência cardíaca fetal junto com as contrações uterinas, usado para avaliar o bem-estar do feto, sobretudo em gestações de risco e no trabalho de parto.
O que é variabilidade na CTG?
É a oscilação da linha de base batimento a batimento. A variabilidade moderada (6 a 25 bpm) é tranquilizadora; a ausente é sinal de alerta.
O que significa DIP II?
É a desaceleração tardia, que começa após o ápice da contração e, quando persistente, indica insuficiência placentária.
Quando a cardiotocografia é normal?
Na categoria 1: linha de base de 110 a 160 bpm, variabilidade moderada e sem desacelerações tardias ou variáveis.
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