
A Síndrome Cornélia de Lange (SCDL) é uma desordem genética rara que resulta de múltiplas anomalias congênitas, causando múltiplas malformações (atraso no crescimento psicomotor, alterações cardíacas, gastrointestinais, musculoesquelética e fácies típicas).
Resumo rápido: o que é a Síndrome de Cornélia de Lange
- É uma doença genética rara do complexo da coesina (cohesinopatia).
- A maioria dos casos decorre de mutação no gene NIPBL, geralmente de forma esporádica (não herdada).
- Marca registrada: sinofria (sobrancelhas confluentes), restrição de crescimento e malformações de membros superiores, com deficiência intelectual.
- Não tem cura; o manejo é multidisciplinar e voltado aos sintomas e às comorbidades.
Quais são os sintomas da Síndrome de Cornélia de Lange?
As manifestações variam de leves a graves, mas há um conjunto característico:
- Fácies típica: sinofria (sobrancelhas unidas), cílios longos, filtro nasal longo, nariz curto e lábios finos voltados para baixo.
- Microcefalia e restrição de crescimento, que começa ainda na gestação.
- Deficiência intelectual e atraso importante da fala.
- Alterações de comportamento: autolesão, traços de autismo, hiperatividade e distúrbios do sono.
- Malformações de membros superiores (de oligodactilia a ausência de antebraços) e hirsutismo.
- Comorbidades frequentes: refluxo e malformações gastrointestinais, cardiopatias congênitas e perda auditiva.
Epidemiologia e causas
A Síndrome Cornélia de Lange é causada pela mutação de genes que estruturam e/ou regulam o complexo da coesina, alterando, assim, a coesão cromatídica, o reparo do DNA e a expressão gênica.
Cerca de 99% dos casos tem ocorrência esporádica e poucos foram associados a um padrão de transmissão autossômico dominante. Estima-se a prevalência entre 1 a cada 10 a 30.000 nascidos vivos. Essa prevalência é incerta devido à heterogeneidade do fenótipo, dificultando o diagnóstico.
Causas e genética
A síndrome resulta de mutações em genes que formam ou regulam o complexo da coesina, essencial para a coesão dos cromossomos, o reparo do DNA e a expressão gênica. É uma condição geneticamente heterogênea:
- NIPBL: o gene mais comum, responsável por cerca de 60% dos casos (produz a proteína delangina); herança autossômica dominante.
- SMC1A e HDAC8: ligados ao cromossomo X.
- SMC3 e RAD21: autossômicos, em menor frequência.
A maioria dos casos é esporádica, por mutação nova (de novo). A transmissão familiar é rara, o que reforça a importância do aconselhamento genético.

Alterações gestacionais
Em alguns casos, pode-se identificar restrição do crescimento intrauterino, hérnia diafragmática, hipoplasia de antebraços, mãos subdesenvolvidas e dismorfismo facial típico.
Alterações clínicas
As principais alterações clínicas incluem dismorfismos faciais, alterações em membros superiores e retardo no crescimento, inclusive podendo causar restrição de crescimento intrauterino.

A demora no crescimento é identificada através de baixo peso, estatura e perímetro cefálico adequados para a idade. Já o atraso no desenvolvimento é considerado moderado nos primeiros marcos do desenvolvimento, associado a atraso importante na fala e retardo mental leve a moderado.
Dentre as alterações comportamentais, podemos identificar hiperatividade, tendência a auto-injúria, agressividade e distúrbios do sono.
Além disso, alguns pacientes podem apresentar crises convulsivas.
Critérios diagnósticos e sintomas
Diagnóstico confirmado na presença de, pelo menos, um fator:
- Mutação positiva no teste genético (genes NIPBL e SMC1A).
- Dismorfismo facial + ≥ 3 critérios de outra categoria, sendo 1de crescimento, desenvolvimento ou comportamento e 2 de outros critérios.
- Dismorfismo facial + ≥ 2 critérios das categorias de crescimento, desenvolvimento ou comportamento.
Dismorfismo facial
Sobrancelhas confluentes + ≥ 3:
- Cílios longos.
- Nariz curto com narinas antevertidas.
- Filtro nasal longo e proeminente.
- Ponte nasal ampla ou deprimida.
- Bochechas quadradas ou pequenas.
- Palato alto.
- Dentes ausentes ou amplamente espaçados.
Crescimento – ≥ 2:
- Peso abaixo do 5º percentil para idade.
- Altura ou comprimento abaixo do 5º percentil para idade.
- Perímetro cefálico abaixo do 5º percentil para idade.
Desenvolvimento- ≥ 1:
- Atraso no desenvolvimento ou retardo mental.
- Deficiências de aprendizado.

- TDAH.
- Características obssessivo-compulsivas.
- Ansiedade.
- Deambulação constante.
- Agressividade.
- Lesões de autoinjúria.
- Timidez excessiva.
- Características semelhantes ao autismo.
Características Musculoeseléticas
Defeitos de redução com antebraços ausentes ou mãos e pés pequenos ou oligodactilia e ≥1 dos seguintes ou nenhum desses com ≥3 dos seguintes:
- Clinodactilia do 5º quirodáctilo.
- Praga palmar anormal.
- Deslocamento da cabeça do rádio.
- Extensão anormal do cotovelo.
- 1º metacarpo encurtado.
- Polegar implantado proximalmente.
- Hálux vaalgo.
- Escoliose.
- Pectus excavatum.
- Luxação ou displasia de quadril.
Características Neurológicas/Cutâneas – ≥3:
- Ptose.
- Malformação do ducto lacrimal ou blefarite.
- Miopia.
- Malformação ocular ou pigmentação peripapilar.
- Surdez ou perda auditiva.
- Convulsões.
- Cutis marmorata.
- Hirsutismo generalizado.
- Mamilos pequenos e/ou umbilicus.
Outras malformações – ≥3:
- Malformação ou má rotação do TGI.
- Hérnia diafragmática.
- DRGE.
- Fenda palatina ou fenda palatina submucosa.
- Cardiopatia congênita.
- Micropênis.
- Hipospádias.
- Criptorquidia.
- Malformação do trato urinário ou renal.
Tratamento e acompanhamento
Não existe cura para a Síndrome de Cornélia de Lange. O tratamento é de suporte, individualizado e multidisciplinar, e busca controlar sintomas e comorbidades e melhorar o desenvolvimento e a qualidade de vida. O acompanhamento costuma envolver:
- Pediatria e genética, para coordenar o cuidado e o aconselhamento familiar.
- Nutrição e gastroenterologia, para dificuldade alimentar e refluxo, comuns no início da vida.
- Cardiologia, para as cardiopatias congênitas.
- Fonoaudiologia e otorrinolaringologia, para audição e linguagem.
- Oftalmologia, fisioterapia, terapia ocupacional e apoio psicológico e comportamental.
Prognóstico e expectativa de vida
O prognóstico é variável e depende sobretudo da gravidade das malformações, especialmente as cardíacas e renais, e das complicações gastrointestinais, como o refluxo e a aspiração. Com diagnóstico precoce e cuidado multidisciplinar contínuo, muitas pessoas com a síndrome chegam à vida adulta. O acompanhamento ativo das comorbidades é o que mais influencia a qualidade e a expectativa de vida.
Acompanhamento da Síndrome Cornélia de Lange
O acompanhamento deve ser realizado ambulatorialmente com equipe multiprofissional. Esses pacientes podem necessitar de internação hospitalar devido à dificuldade alimentar, em especial no começo da vida, e para manejo das cardiopatias congênitas.
Aconselhamento genético
Deve ser oferecido para todas as famílias de crianças com diagnóstico de Síndrome Cornélia de Lange. É importante esse aconselhamento, pois, apesar da maioria dos casos serem esporádicos, a transmissão familiar ocorre ocasionalmente com um padrão autossómico dominante.
Raio-X MedCof: o que cai na prova sobre a Síndrome de Cornélia de Lange
Em pediatria e genética, a síndrome aparece como caso de reconhecimento de padrão. Os pontos de maior rendimento:
- É uma cohesinopatia; o gene mais associado é o NIPBL.
- Tríade que sugere o diagnóstico: sinofria + restrição de crescimento (pré e pós-natal) + defeitos de membros superiores.
- Deficiência intelectual com comportamento de autolesão e traços autistas.
- A maioria dos casos é esporádica (mutação de novo).
- Comorbidades típicas: refluxo/malformações gastrointestinais e cardiopatia congênita.
- Não há cura; manejo multidisciplinar.
O que fazer: treine o reconhecimento da fácies (sinofria e cílios longos) associada aos defeitos de membros, que é a forma clássica de a banca apresentar o caso.
Perguntas frequentes sobre a Síndrome de Cornélia de Lange
O que é a Síndrome de Cornélia de Lange?
É uma doença genética rara, do complexo da coesina, que causa múltiplas malformações, restrição de crescimento, fácies típica e deficiência intelectual.
Quais são os sintomas?
Sinofria e fácies característica, baixo crescimento, deficiência intelectual, alterações de comportamento, malformações de membros superiores, refluxo e cardiopatias.
Qual é a causa da síndrome?
Mutações em genes da coesina, sendo o NIPBL o mais comum (cerca de 60% dos casos). Outros genes são SMC1A, HDAC8, SMC3 e RAD21.
A síndrome tem cura?
Não. O tratamento é de suporte e multidisciplinar, focado em sintomas e comorbidades.
É hereditária?
Na maioria das vezes é esporádica (mutação nova). A transmissão familiar é rara, o que torna o aconselhamento genético importante.
Qual a expectativa de vida?
Variável, conforme as malformações associadas. Com cuidado adequado, muitos indivíduos chegam à vida adulta.
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