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Derrame pleural e edema agudo: o que é, sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

Imagem: Canva

O derrame pleural e o edema agudo de pulmão são condições que envolvem o acúmulo anormal de líquido, mas se diferenciam pelo local em que esse líquido se concentra. Enquanto o derrame pleural ocorre no espaço entre as membranas que revestem os pulmões, o edema pulmonar corresponde ao acúmulo de líquido no tecido pulmonar e nos alvéolos.

Ambas as condições podem provocar falta de ar e comprometer a respiração. Entretanto, suas causas, formas de diagnóstico e tratamentos são diferentes. Neste artigo, entenda o que é derrame pleural, conheça seus principais sintomas e tratamentos e saiba identificar as características do edema agudo de pulmão.

O que é derrame pleural?

O derrame pleural é o acúmulo excessivo de líquido no espaço pleural, localizado entre a pleura visceral, que recobre os pulmões, e a pleura parietal, que reveste a parte interna da parede torácica.

Normalmente, existe uma pequena quantidade de líquido (virtual)  nessa região, responsável por reduzir o atrito durante os movimentos respiratórios. O derrame acontece quando há aumento da produção de líquido ou redução de sua reabsorção.

A condição pode estar relacionada a doenças cardíacas, infecções, neoplasias e alterações renais ou hepáticas. A gravidade depende da quantidade de líquido acumulado, da velocidade de instalação e, principalmente, da doença responsável pelo quadro.

A expressão popular “água no pulmão” pode ser utilizada para se referir ao derrame pleural, mas também é associada ao edema pulmonar. Por isso, é importante diferenciar as duas condições.

Quais são os sintomas do derrame pleural?

Os sintomas do derrame pleural variam conforme o volume de líquido acumulado e a causa do problema. Alguns derrames pequenos podem não provocar manifestações perceptíveis e ser identificados apenas durante exames de imagem.

Entre os principais sintomas e sinais clínicos, estão:

  • Falta de ar (dispneia): pode surgir de forma gradual ou repentina e piorar conforme o volume do derrame aumenta;
  • Dor torácica: geralmente é do tipo pleurítica, com piora durante a inspiração profunda ou a tosse;
  • Tosse: pode ser seca ou acompanhada de secreção, dependendo da doença associada;
  • Respiração rápida e superficial: pode ocorrer quando há comprometimento da expansão pulmonar;
  • Redução dos sons respiratórios: identificada durante a ausculta médica;
  • Macicez à percussão: alteração encontrada no exame físico da região afetada.

Febre, calafrios e mal-estar também podem aparecer quando o derrame está associado a uma infecção, como pneumonia.

A presença de falta de ar intensa, dor torácica importante ou piora súbita da respiração exige avaliação médica imediata.

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Quais são as causas do derrame pleural?

O derrame pleural pode estar associado a diferentes doenças. Para investigar sua origem, os profissionais de saúde consideram o histórico clínico, os sintomas, os exames de imagem e, quando indicado, a análise do líquido pleural.

Entre as causas mais comuns, estão:

  • Insuficiência cardíaca: pode aumentar a pressão nos vasos sanguíneos e favorecer o acúmulo de líquido;
  • Pneumonia: pode provocar inflamação da pleura e derrame parapneumônico;
  • Tuberculose: pode causar inflamação pleural e acúmulo de líquido;
  • Neoplasias: tumores, como os de pulmão e mama, podem estar associados ao derrame pleural maligno;
  • Cirrose hepática: pode favorecer a formação de líquido na cavidade pleural;
  • Síndrome nefrótica e outras doenças renais: podem alterar o equilíbrio de líquidos e proteínas do organismo;
  • Embolia pulmonar: também pode estar relacionada ao derrame pleural;
  • Doenças autoimunes: como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide, podem comprometer a pleura.

A identificação da causa é fundamental para orientar o tratamento e reduzir o risco de recorrência.

Quais são os tipos de derrame pleural?

A classificação do derrame pleural considera as características do líquido acumulado. Os dois grupos principais são transudatos e exsudatos.

Derrame pleural transudativo

O transudato ocorre, geralmente, em razão de alterações nas pressões dos vasos sanguíneos ou da redução da concentração de proteínas no sangue, favorecendo a passagem de líquido para o espaço pleural.

As causas mais comuns incluem:

  • Insuficiência cardíaca;
  • Cirrose hepática;
  • Síndrome nefrótica;
  • Hipoalbuminemia.

O derrame pleural bilateral pode ocorrer em pessoas com insuficiência cardíaca (geralmente maior à direita), embora também possa estar associado a outras condições. A presença de líquido nos dois lados do tórax, isoladamente, não determina a gravidade do quadro.

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Derrame pleural exsudativo

O exsudato está relacionado, em geral, ao aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos decorrente de inflamação, infecção ou outras doenças locais (permitindo o extravasamento de células para a cavidade pleural).

Entre as principais causas, estão pneumonia, tuberculose, neoplasias, embolia pulmonar e algumas doenças autoimunes.

Os exsudatos também podem ser classificados conforme o tipo de célula predominante no líquido, o que contribui para a investigação da causa.

Exsudato neutrofílico

O exsudato neutrofílico apresenta predomínio de neutrófilos e costuma estar associado a processos inflamatórios agudos, especialmente infecções bacterianas e derrames parapneumônicos.

Quando há infecção complicada, o líquido pode apresentar alterações como redução do pH e da glicose, aumento da lactato desidrogenase (LDH), presença de bactérias (positividade de cultura ou de bacterioscópico de GRAM) ou formação de pus.

O empiema pleural corresponde ao acúmulo de pus no espaço pleural. Nesses casos, é necessária a drenagem torácica associada ao tratamento antimicrobiano.

Exsudato linfocítico

O exsudato linfocítico apresenta predomínio de linfócitos e pode estar relacionado principalmente à tuberculose e às neoplasias.

A investigação considera o contexto clínico e pode incluir exames microbiológicos, dosagem de adenosina desaminase (ADA), análise citológica e, em situações selecionadas, biópsia pleural.

A presença de linfócitos ou a alteração de um marcador isolado não confirma, por si só, a causa do derrame. Os resultados devem ser interpretados em conjunto com os demais achados.

Como é feito o diagnóstico do derrame pleural?

O diagnóstico começa com a avaliação clínica, incluindo histórico de doenças, sintomas e exame físico. Para confirmar a presença de líquido e investigar sua origem, podem ser utilizados diferentes exames.

Exames de imagem

Os principais exames incluem:

  • Radiografia de tórax: pode identificar a presença de líquido e estimar sua extensão;
  • Ultrassonografia torácica: ajuda a detectar pequenos volumes, identificar septações e orientar procedimentos;
  • Tomografia computadorizada: pode ser indicada para investigar alterações pulmonares, espessamento pleural, massas e outras possíveis causas.

A escolha depende da suspeita clínica e dos resultados dos exames iniciais.

Toracocentese e análise do líquido pleural

A toracocentese é um procedimento que permite retirar uma amostra do líquido pleural com uma agulha ou dispositivo apropriado. Pode ser realizada para fins diagnósticos e, em determinadas situações, para aliviar os sintomas.

O material coletado pode ser analisado quanto a proteínas, LDH, glicose, pH, celularidade, presença de microrganismos e células tumorais, conforme a suspeita clínica.

Os critérios de Light são utilizados para diferenciar transudatos de exsudatos. O líquido é classificado como exsudato quando apresenta pelo menos um dos seguintes critérios:

  • Relação entre proteína do líquido pleural e proteína sérica > que 0,5 ;
  • Relação entre LDH do líquido pleural e LDH sérica > que 0,6;
  • LDH do líquido pleural superior a dois terços do limite superior da normalidade da LDH sérica.

A interpretação dos resultados deve considerar o quadro clínico, pois algumas situações, como o uso de diuréticos em pacientes com insuficiência cardíaca, podem dificultar a classificação.

Qual é o tratamento para derrame pleural?

O tratamento do derrame pleural depende da causa, do volume de líquido, dos sintomas e da possibilidade de recorrência.

Em derrames pequenos e assintomáticos, pode ser suficiente tratar a doença de base e acompanhar a evolução. Já os quadros sintomáticos ou associados a determinadas complicações podem exigir procedimentos para retirar o líquido.

As principais abordagens incluem:

  • Tratamento da causa: pode envolver medicamentos para insuficiência cardíaca, antimicrobianos para infecções ou tratamento específico de outras doenças;
  • Toracocentese terapêutica: retirada do líquido para aliviar a falta de ar em casos selecionados;
  • Drenagem torácica: pode ser indicada em derrames infectados complicados e empiema;
  • Pleurodese ou cateter pleural de longa permanência: podem ser considerados em determinados derrames malignos recorrentes;
  • Procedimentos cirúrgicos: podem ser necessários em situações específicas, como derrames loculados ou complicações que não respondem ao tratamento inicial.

A drenagem não é necessária em todos os casos. A decisão depende da avaliação médica e das características do líquido acumulado.

O que é edema agudo de pulmão?

O edema agudo de pulmão (EAP) é uma condição caracterizada pelo acúmulo rápido de líquido no tecido pulmonar e nos alvéolos, estruturas responsáveis pelas trocas de oxigênio e gás carbônico.

Esse acúmulo dificulta a passagem de oxigênio para o sangue e pode comprometer rapidamente a respiração. Por isso, o edema agudo de pulmão é considerado uma emergência médica.

Uma das causas mais frequentes é a insuficiência cardíaca aguda, que pode aumentar a pressão nos vasos pulmonares e favorecer a passagem de líquido para os alvéolos. O quadro também pode ocorrer em situações como isquemia cardíaca aguda, infarto, alterações valvares, arritmias e sobrecarga de volume.

O termo “edema agudo pulmão” também é utilizado em buscas para se referir a essa condição.

Quais são os sintomas do edema agudo de pulmão?

Os sintomas geralmente aparecem de forma rápida e podem incluir:

  • Falta de ar intensa e súbita;
  • Sensação de sufocamento, que pode piorar ao deitar;
  • Respiração acelerada;
  • Suor frio, palidez e ansiedade;
  • Tosse, por vezes acompanhada de secreção espumosa ou rosada;
  • Chiado no peito;
  • Coloração azulada dos lábios ou das extremidades em quadros graves.

A suspeita de edema agudo de pulmão exige atendimento de emergência. Não se deve aguardar a melhora espontânea dos sintomas nem tentar tratar a condição em casa.

Como é feito o diagnóstico do edema agudo de pulmão?

O diagnóstico considera os sintomas, o exame físico e os exames complementares. A radiografia de tórax pode mostrar alterações compatíveis com acúmulo de líquido nos pulmões.

Também podem ser solicitados eletrocardiograma, exames laboratoriais e ecocardiograma, conforme a suspeita clínica, para investigar a causa e avaliar a função cardíaca.

A avaliação deve ser rápida, principalmente quando há falta de ar intensa, queda da oxigenação ou sinais de instabilidade cardiovascular.

Qual é o tratamento do edema agudo de pulmão?

O tratamento é realizado em ambiente médico e depende da causa e da gravidade. Pode incluir:

  • Oxigênio, quando indicado;
  • Suporte ventilatório, se necessário;
  • Diuréticos intravenosos em situações apropriadas;
  • Vasodilatadores, conforme a pressão arterial e a condição clínica;
  • Tratamento da causa, como insuficiência cardíaca, isquemia ou arritmias.

A conduta deve ser individualizada. Nem todos os pacientes precisam dos mesmos medicamentos ou de suporte ventilatório.

Água no pulmão tem cura?

O edema pulmonar, popularmente conhecido como água no pulmão, possui sim uma resolução, a qual se torna ainda mais fácil quando identificada com antecedência por um médico especialista.

Os meios de cura podem ser variados, dependendo assim do nível de acometimento no qual o paciente se encontra, mas, geralmente, pode ser composto da utilização de medicamentos que ajudem a expelir o líquido ali encontrado, oxigenoterapia e, em alguns casos, a drenagem do material localizado nos pulmões. 

O tempo de tratamento pode variar conforme a gravidade do indivíduo, podendo durar alguns dias ou, até mesmo, semanas.

Qual é a diferença entre derrame pleural e edema pulmonar?

Apesar de ambos poderem ser chamados popularmente de “água no pulmão”, o derrame pleural e o edema pulmonar são condições diferentes.

CaracterísticaDerrame pleuralEdema pulmonar
Local do líquidoEspaço entre as pleurasTecido pulmonar e alvéolos
Causas frequentesInsuficiência cardíaca, infecções, tuberculose e neoplasiasInsuficiência cardíaca aguda e outras condições cardíacas ou sistêmicas
SintomasFalta de ar, dor torácica pleurítica e tosseFalta de ar intensa, respiração acelerada e, às vezes, secreção espumosa
DiagnósticoExame clínico, imagem e, em alguns casos, análise do líquido pleuralAvaliação clínica, radiografia e exames para investigar a causa
TratamentoControle da causa e, quando indicado, toracocentese ou drenagemSuporte respiratório e tratamento da causa, com medicamentos conforme a situação

As duas condições podem coexistir, especialmente em pacientes com doenças cardíacas. A diferenciação é importante para escolher a abordagem correta.

Perguntas frequentes sobre derrame pleural e edema pulmonar

Derrame pleural é grave?

Pode ser. A gravidade depende da causa, do volume de líquido e do impacto na respiração. Derrames pequenos podem não causar sintomas importantes, enquanto infecções complicadas, neoplasias ou grandes acúmulos podem exigir intervenções específicas.

Derrame pleural pode levar à morte?

Em alguns casos, sim. O risco depende da doença responsável e de possíveis complicações. Infecções graves, neoplasias avançadas e condições que comprometem a respiração podem representar risco à vida. Por isso, o diagnóstico e o tratamento adequados são fundamentais.

Derrame pleural tem cura?

O derrame pleural pode desaparecer quando sua causa é tratada, mas a evolução depende da doença associada. Alguns casos se resolvem com tratamento clínico; outros podem exigir drenagem ou procedimentos para evitar recorrências.

O que não pode comer com derrame pleural?

Não existe uma dieta única proibida para todas as pessoas com derrame pleural. A alimentação deve considerar a causa do quadro. Pacientes com insuficiência cardíaca, por exemplo, podem receber orientação para restringir o sódio e, em situações específicas, ajustar a ingestão de líquidos. Essas medidas devem ser individualizadas pela equipe de saúde.

Derrame pleural bilateral é grave?

O derrame pleural bilateral significa que há líquido nos dois lados do tórax. Pode ocorrer, por exemplo, na insuficiência cardíaca, mas também em outras condições. A presença bilateral não determina, isoladamente, a gravidade: é necessário avaliar a causa, o volume e os sintomas.

Água no pulmão precisa de drenagem?

Depende do diagnóstico. No derrame pleural, a toracocentese ou a drenagem torácica pode ser indicada em situações específicas. No edema pulmonar, o líquido está no tecido pulmonar e nos alvéolos, e o tratamento geralmente envolve suporte respiratório e medidas para controlar a causa. Portanto, a drenagem pleural não é o tratamento habitual do edema agudo de pulmão.

Edema agudo de pulmão é grave?

Sim. O edema agudo de pulmão pode comprometer rapidamente a oxigenação e causar insuficiência respiratória. A suspeita exige atendimento de emergência, especialmente diante de falta de ar intensa ou de início súbito.

Qual é a diferença entre edema pulmonar e água no pulmão?

“Água no pulmão” é uma expressão popular que pode se referir a diferentes condições. No edema pulmonar, o líquido se acumula no tecido pulmonar e nos alvéolos. No derrame pleural, ele fica no espaço entre as pleuras. A avaliação médica é necessária para distinguir os quadros.

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Autor e Revisor

  • Leila Menzel

    Leila Menzel é estudante de Jornalismo na Anhanguera e atua na produção de conteúdo jornalístico sobre saúde e educação médica. Na MedCof, produz e atualiza conteúdos relacionados à residência médica, processos seletivos, editais e especialidades médicas, acompanhando notícias e informações relevantes para estudantes e médicos em preparação para provas e processos seletivos.

  • Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Paraná | CRM: 158838
    Residência em Clínica Médica pela UNICAMP
    Residência em Pneumologia pelo HCFMUSP | RQE: 76202
    Título de Especialista em Pneumologia pela SBPT e em Terapia Intensiva pela AMIB
    Doutor em Pneumologia pela USP
    Médico Assistente da UTI Respiratória e da Disciplina de Pneumologia do HCFMUSP
    Professor de Pneumologia do Grupo MedCof

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