
O Ministério da Saúde pretende discutir a criação de um programa nacional no Sistema Único de Saúde (SUS) voltado ao atendimento de mulheres na transição para a menopausa e durante a menopausa. A proposta foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em 27 de outubro de 2026, durante visita à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.
A iniciativa prevê a participação de especialistas do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Unicamp, na discussão sobre medicamentos, práticas assistenciais e estratégias de cuidado. Segundo o ministro, a proposta integra um planejamento de reorganização do SUS para os próximos quatro anos. Até o momento, porém, não foram divulgados detalhes sobre o funcionamento, o financiamento ou o cronograma de implantação do possível programa.
Ministério da Saúde pretende discutir novas estratégias de atendimento à menopausa
Durante a agenda na Unicamp, Alexandre Padilha afirmou que pretende convidar professores e pesquisadores do Caism para colaborar na elaboração de uma proposta nacional de cuidado às mulheres no climatério e na menopausa.
A discussão deverá abordar quais medicamentos poderão ser utilizados, quais práticas assistenciais devem ser adotadas e como organizar o atendimento na rede pública.
A escolha da instituição considera a experiência do Caism na assistência à saúde da mulher e sua participação em iniciativas relacionadas à organização de serviços e à incorporação de tecnologias no SUS.
De acordo com o ministro, a construção do programa faz parte de uma proposta mais ampla de reorganização do sistema público de saúde, prevista para os próximos quatro anos.
Apesar do anúncio, ainda não há uma política assistencial nova formalizada a partir dessa iniciativa. Também não foram apresentados uma lista de medicamentos, critérios de acesso ou definição dos serviços que participarão de um eventual programa.
Como funciona atualmente o atendimento à menopausa pelo SUS?
Embora a criação de um programa nacional esteja em discussão, o SUS já dispõe de orientações para o acompanhamento de mulheres durante o climatério e a menopausa.
Em abril de 2026, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica Conjunta nº 72/2026, com subsídios para gestores e profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) organizarem e qualificarem o cuidado integral nessa etapa da vida.
O documento considera as necessidades das pessoas na transição para a menopausa, na menopausa e na pós-menopausa, com uma abordagem centrada na pessoa, orientada pela equidade e baseada em evidências.
Além disso, o Ministério da Saúde disponibilizou, em 2026, o Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa, destinado a apoiar a atuação dos profissionais de saúde.
Na prática, o acompanhamento pode começar antes da interrupção definitiva da menstruação. A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ao perceber mudanças no ciclo menstrual ou sintomas que interfiram na qualidade de vida.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde em setembro de 2026, o atendimento pode incluir avaliação clínica, orientações sobre hábitos de vida, acompanhamento de condições de saúde e tratamento medicamentoso, quando indicado.
Atualmente, o SUS dispõe de estriol em creme para o tratamento de sintomas como o ressecamento vaginal. A disponibilidade de medicamentos pode variar conforme a organização da assistência farmacêutica de cada município.
O que é climatério e quando ocorre a menopausa?
O climatério corresponde à transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher. Essa fase pode começar anos antes da última menstruação e envolve mudanças hormonais que podem provocar diferentes manifestações clínicas.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Irregularidade menstrual;
- Ondas de calor, também chamadas de fogachos;
- Suor noturno;
- Alterações do sono;
- Mudanças de humor;
- Ressecamento vaginal e desconfortos geniturinários;
- Dores articulares.
A menopausa, por sua vez, é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não exista outra causa para a interrupção do ciclo.
A intensidade e a combinação dos sintomas variam entre as mulheres. Enquanto algumas apresentam poucas manifestações, outras podem ter sintomas moderados ou intensos, com impacto no sono, na saúde emocional e nas atividades cotidianas.
De acordo com dados apresentados pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 37 milhões de mulheres no Brasil têm entre 40 e 65 anos. A pasta também estima que de 20% a 30% das mulheres apresentam sintomas moderados ou graves durante a transição para a menopausa.
Por isso, a ampliação do acesso à informação e ao acompanhamento em saúde é um dos pontos relevantes na discussão sobre políticas públicas voltadas a essa população.
Conitec também avalia medicamentos para a menopausa no SUS
Outro tema relacionado à ampliação da assistência é a avaliação de tecnologias em saúde pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Em outubro de 2026, a comissão abriu a Chamada Pública nº 88/2026, relacionada à avaliação de estradiol associado à progesterona ou estradiol isolado para pessoas com 40 anos ou mais, na transição menopausal ou menopausa, com sintomas vasomotores moderados a intensos e indicação de terapia hormonal.
A iniciativa abriu espaço para que pacientes compartilhassem suas experiências com os medicamentos avaliados, por meio da chamada Perspectiva do Paciente.
É importante diferenciar os processos: a avaliação de medicamentos pela Conitec segue um fluxo próprio de análise de evidências, benefícios, riscos e impacto para o sistema público. A abertura de uma chamada para participação social não significa que os medicamentos já tenham sido incorporados ao SUS.
Da mesma forma, essa avaliação não representa, por si só, a implementação do programa nacional anunciado pelo Ministério da Saúde.
O que esperar da proposta de um programa nacional para menopausa?
A discussão anunciada pelo Ministério da Saúde representa uma iniciativa de ampliar e organizar o cuidado às mulheres durante a transição menopausal e a menopausa na rede pública.
A participação de especialistas do Caism poderá contribuir para a construção de estratégias assistenciais, incluindo a definição de práticas de atendimento e a discussão sobre medicamentos.
Entretanto, ainda será necessário acompanhar os desdobramentos da proposta para conhecer seu formato, as medidas previstas, os critérios de atendimento e o eventual cronograma de implantação.
Enquanto isso, o acompanhamento pelo SUS continua disponível na Atenção Primária à Saúde. Mulheres que apresentam sintomas ou dúvidas sobre essa fase podem procurar a UBS de referência para avaliação e orientação profissional.
Menopausa e terapia hormonal: quem deve conduzir o tratamento?
Quem decide a terapia hormonal na saúde da mulher: endocrinologista ou ginecologista obstetra? No episódio 8 do GO Cast da MedCof, especialistas discutem as indicações, contraindicações e os critérios clínicos para a reposição hormonal na pós-menopausa.
Referências bibliográficas
1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Ministro discute com Caism criação de programa nacional para mulheres na transição da menopausa. Campinas, 27 out. 2026. Disponível em: Portal Unicamp. Acesso em: 3 nov. 2026.
2. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Ministro visita Departamento de Saúde Coletiva da FCM e anuncia diálogo com Caism para criação de programa nacional sobre menopausa. Campinas, 28 out. 2026. Disponível em: Faculdade de Ciências Médicas. Acesso em: 3 nov. 2026.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 72/2026-DGCI/DESF/DEPROS. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Ministério da Saúde. Acesso em: 3 nov. 2026.
4. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Manual do Ministério da Saúde. Acesso em: 3 nov. 2026.
5. BRASIL. Ministério das Mulheres. Climatério e menopausa: saiba quando e como buscar atendimento no SUS. Brasília, DF, 30 set. 2026. Disponível em: Portal do Ministério das Mulheres. Acesso em: 3 nov. 2026.
6. BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Nova chamada pública para a Perspectiva do Paciente aberta até o dia 28 de outubro. Brasília, DF, 16 out. 2026. Disponível em: Portal Conitec. Acesso em: 3 nov. 2026.
7. BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº 5.313/2026. Institui a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres no Climatério e na Menopausa, no âmbito do SUS. Brasília, DF, 8 set. 2026. Disponível em: Ficha de tramitação do PL 5313/2026. Acesso em: 3 nov. 2026.
8. UOL. SUS pode ganhar programa nacional para menopausa; entenda discussão. UOL Notícias, 28 out. 2026. Disponível em: UOL Notícias. Acesso em: 3 nov. 2026.
