InícioOftalmologiaMiopia: Entenda Causas, Graus, Diagnóstico e Tratamento 

Miopia: Entenda Causas, Graus, Diagnóstico e Tratamento 

Compreenda a fisiopatologia da miopia, critérios diagnósticos, graus clínicos e abordagens refrativas para a prática e provas com a MedCof. 

O que é a Miopia? 

A miopia é um erro refrativo mais prevalente no mundo, sendo ocasionado pelo foco dos raios luminosos antes do plano retiniano em decorrência de alterações  no diâmetro axial ou no poder refrativo ocular. É fundamental entender a etiologia da miopia e a evolução clínica para o médico generalista e para resolução assertiva de casos em provas de residência médica. 

A miopia é uma ametropia em que o ponto focal de raio luminosos paralelos que entram no olho converge anteriormente à retina (em vez de convergir diretamente sobre os fotorreceptores da fóvea), resultando em formação borrada de imagens para objetos situados à distância. 

Porque a visão de longe fica borrada? 

O mecanismo fisiológico decorre de duas anomalias principais:

  1. Miopia axial: é o tipo mais comum de miopia caracterizado pelo aumento excessivo do diâmetro anteroposterior (comprimento axial) do globo ocular, no qual ele assume tamanho maior que 24 mm. Cada milímetro adicional de comprimento gera cerca de -2,5 a -3,0 dioptrias de erro refrativo. 
  2. Miopia refrativa: também pode ser chamada de miopia de curvatura, já que o comprimento axial é normal, porém há excesso de poder dióptrico convergente das estruturas refrativas – seja por aumento curvatura corneana (ceratometria elevada) ou por aumento do índice de refração do cristalino. 

Principais causas e fatores associados

A etiologia da miopia é multifatorial, sendo o resultado entre a vulnerabilidade poligênica e as influências ambientais. 

A predisposição genética em relação a filhos de pais míopes apresentam risco significativamente aumentado de desenvolver a ametropia. Esse risco pode ser de 3 a 5 vezes maior se ambos os pais forem míopes. 

Em pessoas com menor exposição solar há redução da dopamina retiniana estimulada pela luz, o neurotransmissor que atua como inibidor natural do alongamento escleral axial. Além disso, a leitura contínua em letras pequenas e uso excessivo de telas causam esforço acomodativo persistente e hiperfoco periférico, estimulando o remodelamento biomecânico da esclera. 

Sintomas mais comuns

As manifestações clínica são constituídas pela redução da acuidade visual para objetos distantes, mantendo a acuidade próxima preservada, ou seja, o ponto remoto está próximo do olho; e pela astenopia, a fadiga ocular, e que o paciente relata cefaleia frontal pós-esforço visual e ato reflexo de semicerrar as fendas palpebrais (mecanismo de estenopeico para reduzir as aberrações esféricas periféricas). 

Como é feito o diagnóstico? 

A avaliação diagnóstica cuida de 3 pontos especificamente: 

  1. Medição de acuidade visual: Testada monocularmente e binocularmente com optotipos padronizados (tabela de Snellen ou ETDRS), com e sem orifício estenopeico.
  2. Refração sob cicloplegia: Indispensável em pacientes jovens para paralisar o tônus do músculo ciliar via bloqueio colinérgico (ex.: ciclopentolato ou tropicamida), evitando pseudo-miopia ou hipercorreção acomodativa.
  3. Biometria ocular e topografia corneana: Avaliação do comprimento axial e da curvatura/regularidade da córnea.

Graus de miopia

Após o fechamento do diagnóstico, é imprescindível avaliar a gravidade do caso. A graduação clínica baseia-se na magnitude da potência esférica negativa (em dioptrias, D) necessária para corrigir o foco visual: 

ClassificaçãoFaixa de Dioptrias (D)Risco de Complicações Retinianas
Baixa miopiaAté -3,00 DMuito baixo; alterações estruturais mínimas.
Miopia moderada-3,25 D a -6,00 DIntermediário; distensão tecidual discreta a moderada.
Alta miopia (ou patológica)> -6,00 D (ou axial > 26 mm)Elevado; estafiloma posterior, degeneração em treliça (lattice), risco de descolamento de retina e maculopatia miópica.

Miopia em Crianças e Adultos 

Quando a miopia ocorre na infância, há particularidades que podem predizer a evolução do quadro. Durante as fases de crescimento somático e estirões da infância/adolescência, o alongamento axial ocular tende a acelerar. As estratégias de contenção baseadas em evidências incluem: uso tópico de atropina em baixas doses (0,01% a 0,05%), lentes de contato multifocais ou de ortoceratologia, e aumento obrigatório do tempo de exposição ao ar livre (> 2 horas/dia). 

Na fase adulta, o erro refrativo tende a se estabilizar entre os 18 e 21 anos, com o término do crescimento esqueletocraniano. Se ocorrerem pioras agudas na vida aguda, há sugestão de causas secundárias, como esclerose nuclear do cristalino ( a catarata que aumenta o poder dióptrico interno e gera miopização senil) ou flutações glicêmicas no diabetes mellitus descompensado (causando edema do cristalino por acúmulo osmótico do sorbitol). 

Modalidades de correção e manejo terapêutico 

  1. Lentes divergentes (biconvavas)

Esse tipo de lente desloca o ponto de foco luminoso para coincidir exatamente sobre o plano macular da retina e, assim, corrigir a distorção de imagem.

  1. Lentes de contato 

Esse tipo oferece maior amplitude de campo visual e minimizam a aniseiconia ou a redução do tamanho aparente da imagem provocada por óculos de alto grau. 

  1. Cirurgias refrativas corneanas 

O procedimento invasivo modifica a curvatura da superfície corneana para aplanar seu meridiano central, reduzindo, assim, o poder refrativo dióptrico total. 

Para realização da cirurgia, o paciente precisa cumprir pelo menos 4 critérios: 

  • Idade mínima de 18 a 21 anos com estabilidade refrativa documentada por pelo menos 1 ano (variação < 0,50 D).
  • Ausência de ectasias corneanas (como ceratocone) identificadas por tomografia/topografia de córnea (Pentacam/Orbscan).
  • Paquimetria corneana suficiente para garantir leito estromal residual seguro pós-ablação (geralmente > 250–300 µm).
  • Ausência de patologias oculares ativas (olho seco severo, glaucoma descompensado o retinopatias proliferativas).
Exemplo de ectasia corneana.

Quando procurar um oftalmologista

É mandatório que o paciente continue com acompanhamento regular com mapeamento de retina com o oftalmologista, sobretudo aqueles que possuem miopia moderada a alta. Alguns sinais de alarme indicam uma necessidade ainda maior do encaminhamento para o oftalmologista pois indicam complicações graves: 

  • Fotopsias (flaches de luz) 
Exemplo da visão com Fotopsias.

As imagens percebidas pelo paciente indicam um tração vítreo-retiniana anômola

  • Miodesopsias agudas (moscas volantes em aumento súbito)

 Podem sinalizar rotura retiniana ou descolamento de vítreo posterior agudo.

  • Defeito em cortina no campo visual

Marcador clássico de descolamento regmatogênico de retina em evolução, demandando intervenção oftalmológica emergencial.

Perguntas frequentes sobre miopia

 A miopia pode aumentar na fase adulta?
Geralmente estabiliza aos 21 anos, mas pode aumentar devido à esclerose nuclear da catarata ou edema do cristalino por diabetes descompensado. 

Qual a diferença entre miopia e hipermetropia?
Na miopia o foco luminoso converge antes da retina, prejudicando a visão para longe; na hipermetropia converge atrás, afetando primariamente a visão próxima. 

O que é considerada alta miopia?
Define-se clinicamente como erro refrativo superior a -6,00 dioptrias ou comprimento axial ocular acima de 26 milímetros, elevando riscos retinianos.

Toda pessoa com miopia pode operar a visão?
Não. A cirurgia refrativa requer maioridade, grau estável por 12 meses, espessura corneana adequada e ausência de ectasias como ceratocone. 

Autor

  • Kiara Adelino

    Estudante do 6° semestre de Medicina. Gosto bastante de aprender coisas novas, principalmente na área de Neurologia e Anatomia humana.

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